O mercado de TI no Brasil fechou 2025 com crescimento acima da média mundial. Segundo a 20ª edição do Estudo Mercado Brasileiro de Software — Panorama e Tendências 2026, o país movimentou US$67,8 bilhões em hardware, software e serviços.
O avanço de 18,5% em relação a 2024 reforçou a posição brasileira na América Latina. Para 2026, porém, a projeção de crescimento mais moderado aumenta a pressão por escolhas mais criteriosas e resultados visíveis na operação.
Entenda o que os números revelam sobre o mercado e como as empresas podem transformar investimento em tecnologia em ganho real de eficiência.
Mercado de TI no Brasil cresce e muda o foco dos investimentos
O crescimento registrado em 2025 superou a média global do setor, de 14,1%. Entre os fatores que ajudam a explicar esse desempenho estão a migração para ambientes de nuvem, a digitalização de canais e a adoção de inteligência artificial nas empresas.
Esses movimentos ampliaram a demanda por infraestrutura capaz de processar e armazenar volumes maiores de dados.
Data centers, servidores, redes de alta capacidade e equipamentos de conectividade ganharam importância para sustentar aplicações mais complexas.
Esse cenário também aparece na distribuição dos investimentos em TI no país. De acordo com o estudo, os recursos foram divididos da seguinte forma:
- Hardware: 47,9%, incluindo servidores e equipamentos de rede;
- Software: 32,1%, com avanço dos modelos em nuvem e SaaS;
- Serviços: 20%, como integração, suporte técnico e consultoria.
A concentração em hardware mostra que muitas empresas ainda estão fortalecendo a base necessária para digitalizar suas operações. Ao mesmo tempo, a expectativa da ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) é de que software e serviços ganhem mais espaço nos próximos anos.
A mudança faz sentido porque comprar infraestrutura resolve apenas parte do problema. Quanto mais sistemas e tecnologias entram na empresa, maior é a necessidade de integração, sustentação e acompanhamento especializado.
Outro dado reforça a relevância do país na região. A participação brasileira nos investimentos em TI da América Latina passou de 34,7% em 2024 para 38,4% em 2025.
Esse avanço amplia o interesse de fornecedores e empresas internacionais pelo mercado brasileiro. Também aumenta a concorrência e a cobrança por operações mais preparadas para acompanhar o novo ritmo tecnológico.
O que os números indicam para empresas que estão digitalizando?
Para 2026, o estudo projeta crescimento de 5,3% no mercado brasileiro de TI, abaixo da média mundial prevista de 9,7%. A desaceleração se refere ao Brasil e indica uma mudança de ritmo, não uma retração. Depois de um ano de forte expansão, o setor entra em uma fase em que crescer continua importante, mas gastar melhor passa a pesar mais.
Esse movimento pode estar ligado ao amadurecimento dos investimentos feitos nos últimos anos. Após ampliar infraestrutura, nuvem, conectividade e capacidade de processamento, muitas empresas tendem a olhar com mais atenção para o retorno do que já foi contratado.
Nesse cenário, o orçamento de tecnologia passa a ser discutido com perguntas mais objetivas: qual projeto reduz custo? Qual melhora produtividade? Qual conecta áreas que ainda trabalham separadas? Qual iniciativa sustenta crescimento sem aumentar a complexidade da operação?
Esse cuidado é importante porque investir mais em tecnologia não garante, por si só, uma empresa mais eficiente. Sistemas podem ser implantados e continuar pouco usados. Automações podem reproduzir processos ruins. Plataformas diferentes podem ampliar a fragmentação quando não existe integração.
Por isso, algumas perguntas ganham peso antes de aprovar novos projetos:
- Qual gargalo o projeto pretende resolver?
- Quais áreas e sistemas precisam ser conectados?
- Como o resultado será medido?
- Quem responde pela adoção e pela evolução da solução?
- Qual ganho operacional ou financeiro é esperado?
Essas respostas ajudam a separar investimento estratégico de pressão por tendência. Também orientam quais projetos devem receber prioridade por terem impacto mais claro na rotina do negócio.
A inteligência artificial é um bom exemplo. Para funcionar na operação, ela depende de dados organizados, regras bem definidas e sistemas capazes de compartilhar informações. Sem essa base, os resultados ficam limitados, mesmo quando a tecnologia é avançada.
O mesmo vale para automação, plataformas em nuvem e soluções de gestão. A ferramenta precisa entrar em um fluxo compreendido pelas equipes, com responsáveis, indicadores e critérios para corrigir desvios.
O próximo ciclo do mercado brasileiro tende a valorizar empresas capazes de conectar estratégia e execução. O objetivo deixa de ser acumular soluções e passa a ser extrair mais valor da estrutura já contratada.
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Como transformar investimento em rotina e resultado?
Um dos erros mais frequentes na digitalização é tratar a implantação como o fim do processo. A ferramenta entra no ar, o projeto é encerrado e a equipe retoma planilhas e controles paralelos.
Para evitar esse retorno à rotina anterior, a transformação precisa avançar por etapas, com prioridades claras e acompanhamento depois da entrega:
Comece pelo gargalo da operação
O primeiro passo é escolher uma dor com impacto relevante, como retrabalho, baixa visibilidade, demora no atendimento ou dificuldade para acompanhar indicadores.
Depois, é preciso mapear o fluxo atual: como as informações circulam, onde estão os gargalos, quais tarefas ainda dependem de esforço manual e quem participa de cada decisão.
Organize a base antes de automatizar
Com o diagnóstico em mãos, a empresa pode revisar dados, definir responsabilidades e redesenhar o processo. Essa preparação evita que a tecnologia reproduza falhas que já existem.
Automatizar uma rotina desorganizada apenas acelera erros. A ferramenta deve entrar quando o novo fluxo estiver claro e conectado às necessidades da operação.
Acompanhe indicadores e ajuste a execução
A implementação precisa ser medida por indicadores ligados ao objetivo do projeto, como tempo de execução, retrabalho, produtividade, custo operacional ou qualidade do atendimento.
Essa leitura mostra o que melhorou, onde ainda há desvios e quais ajustes devem ser feitos antes de escalar a solução para outras áreas.
Quando faltam equipe ou competências para conduzir todas essas etapas, contar com uma parceira de tecnologia pode acelerar a execução. O apoio pode envolver diagnóstico, integração de sistemas, desenvolvimento de plataformas e alocação de squads multidisciplinares para transformar prioridade em entrega.
A ABL parte do gargalo operacional para organizar processos, desenvolver soluções e acompanhar a execução com mais previsibilidade.
O crescimento do mercado brasileiro de TI amplia as oportunidades, mas também aumenta a cobrança sobre os investimentos. A diferença estará na capacidade de transformar tecnologia contratada em uma operação mais integrada, eficiente e preparada para evoluir.
Para identificar os gargalos tecnológicos da sua operação e definir o melhor ponto de partida, fale com um dos nossos especialistas.
