As deeptechs ampliaram sua presença no ecossistema de startups brasileiro, mesmo operando com ciclos de desenvolvimento mais longos e maior complexidade tecnológica. Levantamento do Observatório Sebrae Startups, divulgado pela Agência Sebrae de Notícias, mostra que esse tipo de empresa já responde por 14,8% das startups analisadas no país, dentro de um universo que supera 20 mil startups ativas.
O dado aparece em um cenário de expansão do ecossistema, que registrou crescimento acima de 30% em um ano, na comparação entre agosto de 2024 e agosto de 2025, segundo o Sebrae.
O que caracteriza uma deeptech no ecossistema brasileiro?
De acordo com o Sebrae, deeptechs são startups de base científica e tecnológica, voltadas ao desenvolvimento de soluções de alta complexidade.
Essas empresas atuam na convergência de tecnologias emergentes e costumam demandar maior volume de investimento, além de ciclos mais longos de pesquisa, testes e validações técnicas.
O modelo de negócio envolve tempo maior de maturação, com foco em aplicações capazes de gerar impacto econômico, social ou ambiental relevante.
Dados mostram crescimento mesmo com ciclos mais longos
Os números do Prêmio Sebrae Startups indicam que as deeptechs mantêm crescimento mesmo em um ambiente que exige desenvolvimento prolongado, validações técnicas rigorosas e dependência elevada de conhecimento especializado.
A participação de 14,8% dentro do conjunto analisado sugere que o ecossistema brasileiro começa a incorporar, de forma mais consistente, modelos tecnológicos menos imediatistas e alinhados a trajetórias de inovação mais profundas.
Relação entre deeptechs e maturidade em inteligência artificial
O levantamento também aponta avanço no uso de inteligência artificial entre as startups brasileiras. 48,3% das empresas analisadas apresentam alta maturidade no uso de IA e tecnologias avançadas de dados.
Dentro desse grupo, 26,7% utilizam APIs de terceiros com personalização significativa, 11,4% contam com soluções internas em fase de escalabilidade e 10,2% já operam com modelos ou algoritmos próprios em produção. Os dados indicam que a adoção de IA ocorre de forma aplicada, sustentando produtos e operações em diferentes estágios.
Expansão geográfica reforça avanço fora do eixo tradicional
A distribuição regional das startups mostra um ecossistema cada vez mais espalhado pelo país. O Sudeste concentra 35,8% das empresas inovadoras, enquanto o Nordeste responde por 24,7% e o Sul por 20,7%. Centro-Oeste e Norte aparecem com 9,5% e 9,2%, respectivamente.
Embora os dados não detalhem a localização específica das deeptechs, o crescimento desse tipo de startup ocorre dentro de um ambiente de inovação mais distribuído regionalmente, fora da concentração histórica em poucos pólos.
Impacto para o ecossistema de inovação
O avanço das deeptechs indica um processo de amadurecimento do ecossistema brasileiro de startups.
A presença crescente de empresas com ciclos mais longos amplia a diversidade tecnológica do país e reforça a importância de capital paciente, programas de aceleração e apoio institucional.
Nesse contexto, o ecossistema passa a conviver com modelos de inovação mais complexos, alinhados a tendências globais de ciência aplicada, dados avançados e inteligência artificial.
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