A escassez de talentos em tecnologia já afeta 98% das médias e grandes empresas brasileiras, segundo levantamento da Ford em parceria com o Datafolha, repercutido pela Forbes. O dado mostra que contratar profissionais qualificados deixou de ser uma dificuldade pontual e passou a interferir no ritmo de projetos, produtos e iniciativas digitais.
Quando uma vaga leva semanas para ser preenchida, a empresa precisa rever prioridades, redistribuir demandas e adiar entregas. Projetos críticos ficam mais caros, times internos acumulam responsabilidades e decisões estratégicas passam a depender da disponibilidade de competências específicas.
Entenda por que esse cenário tem ampliado a procura por squads de tecnologia e quais cuidados sustentam esse modelo.
Escassez de talentos em tecnologia já travou o ritmo de contratação
O estudo ouviu 250 líderes de RH e TI de médias e grandes empresas de diferentes setores e regiões. Entre as posições mais difíceis de preencher estão especialistas em IA, citados por 35% dos entrevistados, e engenheiros de software, mencionados por 31%.
A dificuldade aparece também no tempo de contratação. Para metade das empresas, preencher uma vaga de tecnologia leva de um a dois meses. Em um quarto delas, o processo pode chegar a 90 dias. Apenas 14% concluem a seleção em menos de um mês.
Esse intervalo pesa quando a contratação está ligada a uma entrega em andamento. Uma posição aberta pode atrasar integração de sistemas, evolução de produtos, automações, reforço de segurança ou uso de dados em decisões de negócio.
Os motivos apontados ajudam a explicar o gargalo. A falta de conhecimento técnico aparece para 72% das empresas, enquanto 54% citam pouca experiência prática. Segurança da informação e IA e machine learning também estão entre as competências mais escassas.
Por isso, a contratação de tecnologia deixou de depender apenas da abertura de uma vaga. Ela envolve disputa por profissionais, tempo de adaptação e capacidade de trabalhar com sistemas, processos e equipes que já existem.
O que a falta de profissionais de tecnologia muda na execução?
O impacto mais visível está na capacidade de entrega. A empresa pode ter orçamento, estratégia e uma lista clara de projetos, mas ainda assim não conseguir avançar no ritmo esperado por falta de pessoas com as competências necessárias.
O problema cresce quando o conhecimento fica concentrado em poucas pessoas. Profissionais-chave passam a atender várias frentes, revisar entregas, resolver incidentes e apoiar decisões de produto ou negócio. Com o tempo, esse acúmulo aumenta a chance de atraso, retrabalho e perda de continuidade.
A pesquisa também mostra que a régua de contratação vai além da parte técnica. O inglês é um critério eliminatório para 78% das organizações, enquanto 37% rejeitam candidatos tecnicamente preparados quando faltam soft skills.
Esse perfil híbrido ganhou importância porque projetos de tecnologia exigem comunicação com diferentes áreas. Um profissional pode dominar uma linguagem, ferramenta ou arquitetura e ainda encontrar dificuldade para traduzir riscos, negociar prioridades e colaborar com equipes de negócio.
Entre as habilidades comportamentais mais difíceis de encontrar estão inteligência emocional e pensamento crítico. Elas aparecem quando o profissional precisa lidar com mudanças de escopo, analisar um problema com poucas informações ou explicar como uma decisão técnica afeta prazo, custo ou segurança.
A falta de profissionais de tecnologia pressiona diferentes pontos da empresa:
- Amplia o tempo entre planejamento e entrega;
- Aumenta a sobrecarga dos times internos;
- Dificulta a continuidade de projetos prioritários;
- Concentra conhecimento em poucas pessoas;
- Eleva o risco de contratar apenas para preencher a vaga;
- Exige mais clareza sobre prioridades e resultados.
Esse cenário também muda a conversa sobre outsourcing de TI. A decisão passa a considerar acesso a competências, velocidade de composição do time e capacidade de manter uma agenda contínua de entregas.
Onde squads entram para manter velocidade sem perder controle?
Squads de tecnologia ajudam quando a empresa precisa avançar em uma frente específica e não consegue montar um time interno no tempo necessário. O modelo reúne profissionais com competências complementares em torno de um objetivo, produto ou problema de negócio.
Essa composição pode incluir desenvolvimento, dados, produto, qualidade, design, segurança ou gestão técnica, conforme a etapa do projeto. Em vez de depender de várias contratações isoladas, a empresa acessa um time já orientado para execução.
O apoio de fornecedores externos também ganha força quando a demanda exige repertório técnico, cadência e capacidade de entrega imediata.
Em projetos mais complexos, como automação, dados e IA, contar com especialistas de fora pode reduzir o tempo de aprendizado e evitar que a operação fique parada enquanto disputa profissionais no mercado.
O modelo funciona melhor quando começa com escopo e responsabilidades claras. A empresa precisa definir qual problema será atacado, quais entregas são prioritárias, como as decisões serão tomadas e quais indicadores mostrarão evolução.
A integração com as áreas internas também é decisiva. Parceiros externos precisam acessar o contexto do negócio, participar dos rituais necessários e manter comunicação frequente com quem responde pelo projeto.
Alguns elementos ajudam a sustentar essa relação:
- Objetivo e escopo compreendidos pelas partes;
- Papéis definidos entre fornecedor e equipe interna;
- Cadência de acompanhamento e entrega;
- Indicadores ligados ao resultado;
- Registro de decisões e documentação;
- Governança para tratar riscos e mudanças.
Sem essa base, a velocidade inicial pode virar retrabalho. Com governança, squads externas ampliam a capacidade de execução sem retirar da empresa o controle sobre estratégia, decisões e conhecimento gerado.
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O formato também reforça times existentes. Em vez de substituir a equipe interna, squads cobrem lacunas de competência, assumem frentes delimitadas e evitam que entregas críticas fiquem paradas durante um processo longo de contratação.
Em projetos de IA, essa decisão pesa ainda mais. Segundo o MIT GenAI Divide 2025 - importante estudo conduzido por pesquisadores do MIT sobre a adoção da Inteligência Artificial Generativa no ambiente corporativo - iniciativas conduzidas apenas por times internos têm cerca de 33% de taxa de sucesso, enquanto fornecedores especializados chegam a 67%. Diante da dificuldade de contratar profissionais qualificados, o apoio externo pode encurtar o caminho entre aplicação e conclusão dos projetos de tecnologia na operação.
Na ABL, squads multidisciplinares de tecnologia e dados são estruturados conforme o desafio e o estágio de cada operação. O trabalho pode envolver desenvolvimento de plataformas, integração de sistemas, sustentação, automação e uso de dados, sempre conectado às prioridades do negócio.
A escassez de talentos em tecnologia exige decisões mais rápidas sobre onde concentrar pessoas e orçamento. Para muitas empresas, a resposta passa por combinar formação interna, contratação estratégica e parceiros capazes de ampliar a capacidade de entrega com método.
Para entender como compor um squad alinhado aos objetivos da sua operação, fale com um dos nossos especialistas.
